Racionalismo é Fundamental

Racionalismo é Fundamental
Quanto às probabilidades, racionalismo é tudo.

ERA QUE VALHA!

Tudo o que vem a configurar as mais novas e velhas vertentes científicas e literárias em uma Era única.

Cenário pelos Mundos na Gênesis

Limites do Cosmo

Assim como um sistema por mim

aberto sobre aquele sol virginal,

astro estrela sou enfim

àquele outro emburacado lateral.

Céus primaveris de horizontes infinitos,

seu transgredir pôs fim à serenidade

de uma transviada cabeça arrastando marés,

várias dos desvarios pés no planetóide.

Mesmo os tais corredores que me são por origem,

cada vez mais espremidos estão entre

as obras da escavação, e o apontamento

no mirante de contemplação do firmamento.

Lugares estes aquecidos do pulsar

de um eterno coração semente de amar.

Áurea de Engate

À frente dos termos da inflação

e processos tanto mais conectivas,

guardo as máximas imaginativas

do gozo semblante de imensidão.

Círculos de abaulamento extracósmico

do halo de matéria e vácuo e o mais

prováveis janelas supragaláticas,

acabam nas órbitas por somar

nos flancos, de toda leveza

da curtida estrutura divina.

Anelamento de coexistências atemporais

das interferências de outros sóis,

repartiu os invisíveis céus

de muitas facetas de nós.

Fenda Celestial

Além das fronteiras do desconhecido,

do acesso das nações inacessíveis,

ao sentido das ascendências quantiza,

se escreve a sinopse monumental

de evolução nestas dimensões involucrando.

Tão maiores teus limites

nos colapsos de um sistema errante,

toda força das tensões cósmicas

carregadas pueris nas brasas,

à gás compactam em nuvens do infinito

arfante estremecer, enquanto tua

opulência astronômica neste cosmo

age qual pilar além de seus limites.

Mais luz sua aura é,

por dentro onde chamam nós.

Meter na terra também,

meter na fonte teu leite,

das mais empoladoras entranhas

sublimes de magma lasciva.

*

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Pro-cannabis e entorpecentes demais: tolerância ainda que tarda

Dentre os diversos aspectos referentes aos direitos humanos, podemos ressaltar para o presente artigo: o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e a proteção do estado de direito, para que o homem não seja compelido, como um último recurso, à rebelião contra tirania e a opressão. Como se sabe, no Brasil é proibido o uso recreacional, medicinal e industrial da maconha e, inclusive, é proibido manifestar apoio à causa, sob o risco de prisão por apologia. Nossa constituição assegura nosso direito à liberdade de expressão, ao mesmo tempo que proibe levar adiante o assunto, como uma mordaça sutil. Assim, um importante evento organizado em São Paulo, em plena Avenida Paulista, acontece todo ano e é chamado de Passeata Verde Pró-Cannabis. Uma das bandeiras da passeata é a reformulação das leis quanto ao uso e plantio da erva, e será comentada mais a frente. A seguir, será mostrado um pouco do histórico do uso de drogas pelo homem, e também os rumos tomados na política de drogas de alguns países no século passado.
 O uso de substâncias psicotrópicas parece ser tão antigo quanto a humanidade. As primeiras referências sobre a papoula, de onde é extraído o ópio, se encontram em tábuas sumerianas, na Mesopotâmia, datando de três a quatro mil anos antes de Cristo. Na América do Sul, desde tempos imemoriais, o homem usa a coca. Mascando suas folhas, os índios adquiriam vigor e energia. Na América Central, o peyot é largamente usado em cerimônias religiosas.
Atitudes revolucionárias no campo filosófico e espiritual marcaram época nas décadas de 60 e 70, tais como o advento do movimento beat (movimento de contracultura, de contestação do “american way of life”) e o movimento hippie, o qual apresenta como principal vertente a base estético-existencial do movimento beat. A geração beatnick foi, antes de tudo, um projeto estético, como todo o movimento que tem a arte como base. Uma forma de viver e pensar em que a estética do risco estava constantemente presente. Seus precursores estão na vanguarda européia, de William Blake, Rimbaud e Baudelaire. Algumas décadas antes esses escritores viviam sua própria geração, com suas próprias drogas, no caso dos franceses o absinto, no oriente o haxixe, e encaravam uma barra parecida em relação ao sistema constituído. Muitos criadores europeus buscaram refúgio na América fugindo do horror nazista, artistas como Breton e Max Ernst, Duchamp e Léger, e deixaram a semente de uma vanguarda fértil que logo germinou.
A partir de inúmeras experiências realizadas por importantes psicólogos e poetas da contracultura, e demonstrações sobre os efeitos e a discussões sobre o uso de drogas, foi comprovada a capacidade da droga de conectar diversas pessoas por meio de laços de empatia, e a percepção de diferentes realidades compartilhadas com experiências psicodélicas. Importantes escritores dessa época tais como Jack Kerouac, William Burroughs, Neal Cassady, Aldous Huxley, entre outros, que buscavam estados alterados e intensificados de consciência, escreveram importantes obras quanto a experiências de drogas e relatos abrangentes quanto a iniciação com amigos e estranhos nos prazeres da maconha e de outras drogas alteradoras da mente. Os psicólogos Timothy Leary e Richard Alpert realizaram experiências marcantes em Harvard, onde estudaram o impacto da psilocibina (princípio ativo presente em cogumelos alucinógenos) a grupos de presos e a grupos de estudantes da própria universidade, em mais de uma centena de sessões experimentais, com administração oral da droga.
As experiências de drogas em Harvard passaram a tomar grandes proporções, com o advento de cada vez mais estudantes querendo tomar parte das sessões. A efervescência da consciência das drogas acarretou incidentes ocasionais que acabaram chamando a atenção das autoridades. Em relação a usuários de álcool e cigarro, ocorrências de overdose com maconha ou drogas lisérgicas, ou mesmo tentativas de suicídio são certamente muito menos prováveis e freqüentes. Os piores problemas resultaram da tendência crônica dos estudantes de contar tudo a “todos”, anunciando às suas famílias, que haviam encontrado Deus e descoberto o segredo do universo. Também com base em interesses conservadores e com fins de manipulação, os diretores da universidade ficaram irritados com as reclamações de pais e passaram a defender uma reação antidrogas. O grupo de pesquisa de drogas do Dr. Leary passou a ser monitorado pela CIA, e as linhas de pesquisa de drogas passaram a ser conduzidas com fins de tortura e obtenção de informações de prisioneiros de guerra. Durante e pós-década de 70, mesmo com a realização de inúmeras manifestações culturais movidas a psicotrópicos, foram e são gastos bilhões de dólares com repressão e inúteis programas de desinformação antidrogas.
Em diversas passagens históricas (Revolução Francesa, Revoltas no Norte e Nordeste do Brasil, entre outras), a participação de levantes populares foi essencial para a mudança de panoramas políticos vigentes. No que concerne aos entraves na legislação para a legalização do uso de drogas, sabe-se que parte da campanha de alguns políticos seja financiada pelo tráfico e, é lógico, não deve ser de interesse para estes que se libere o uso para a população. A Passeata Verde que ocorre no mês de novembro de cada ano, é um movimento com vistas a nova recarga a uma abordagem mais humanitária, junto ao amparo e o tratamento mais tolerante por parte da sociedade, em relação a usuários de maconha e traficantes. Apesar da pequena participação no último encontro de maconheiros, vê-se que os interesses vigentes dos altos escalões do poder ainda são resguardados e predominam; a repercussão da passeata foi marcada, mais uma vez, por repressão policial, na qual foram distribuídas bombas de gás e cassetadas aos manifestantes.

O uso livre e sem preocupações por parte dos usuários certamente acarreta viagens mais seguras e também proporcionaria uma maior aproximação e socialização entre estes usuários e não-usuários, já que diminui a intolerância e derruba tabus preconceituosos, providos diretamente das próprias famílias e da sociedade. O conhecimento acumulado e as experiências do uso de drogas pela espécie humana provêem uma base sólida para a instauração de programas de acompanhamento voltados a usuários e o uso legal de drogas permitido. Segundo dados da ONU, fazem parte da cultura cannábica mundial cerca de 200 milhões de pessoas, embora estatísticas não-oficiais apontem para mais de 400 milhões de pessoas. Nesse montante, o Brasil apresenta mais de 14 milhões de pessoas consumindo toneladas da erva. A droga é proibida em boa parte do mundo, embora, desde que a Holanda começou a tolerá-la, na década de 70, alguns outros países seguiram os passos da descriminalização. Itália e Espanha há tempos aceitam o porte de pequenas quantidades da erva e, recentemente, o Canadá adotou o uso para fins medicinais.
A liberação da maconha e endobotânicos demais para o consumo e a venda, no Brasil, serviria não só para exterminar a imagem do usuário vagabundo e marginal, como seria um real salto evolutivo, e que também geraria empregos e renda, juntamente com o bem-estar gerado com o fim da guerra nos morros, a paranóia nas ruas e a superlotação de cadeias. Com o redirecionamento das verbas oriundas do fim da inútil e ineficaz guerra ‘contra’ o tráfico e a verba das campanhas publicitárias antidrogas atuais, poderia ser construída uma melhor e eficaz infra-estrutura de amparo e suporte a viciados (spas especializados) e a inclusão na área de educação sobre o assunto, junto com a forma de tratamento. A mudança de enfoque em campanhas antidrogas, as quais exploram e embasam uma postura inútil e equivocada de combate às drogas, e que ainda mostram somente o lado trágico deste submundo pelas próprias leis proibicionistas, poderia ao invés disto estimular o conhecimento do uso e abuso de cada substância e assumir o setor interessado de usuários que querem somente o fim do preconceito e a intolerância. Deste modo, um aumento no discernimento da consciência de tolerância às drogas e a sua legalização, mudaria verdadeiramente esta sociedade proibicionista e influenciável, mostrando que é possível acessar outros níveis de realidade e requerer o que todos os cidadãos tem por direito: escolher o rumo de suas vidas desde que não sejam prejudicados pelas demais.
Autor: Denis dos Santos

Bibliografia
- Leary, T. F. Flashbacks, Surfando no Caos. 1ª ed, 1999.
- Sites de jornais em geral.

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